Português no estrangeiro

bom negócio para alguns

Inverdades e invejas

 

 

De : Maria Teresa Duarte Soares

 

Como escreveu o professor António Justo, no dia 1 de Dezembro, o ensino da Língua e Cultura Portuguesa para os filhos dos trabalhadores portugueses no estrangeiro encontra-se em situação caótica. Tal situação é geral para todos os países e não se limita apenas à Alemanha.

Os actuais professores de LCP têm sido tratados, desde 1998, como uma “classe a abater “ pelos sucessivos governos, que, com um histerismo economicista incompreensível, não se envergonham de procurar as soluções mais vergonhosas e inconcebíveis para  acabar com um ensino que é um direito dos portugueses no estrangeiro, direito esse consagrado pela Constituição da República Portuguesa.

Apesar dos ataques de vários inimigos políticos, este sistema de ensino tem conseguido sobreviver, em boa parte devido à boa vontade dos professores e alunos, os primeiros leccionando sem a mínima actualização salarial desde 1998, cada vez com mais deslocações escola a escola e com turmas cada vez mais mistas, e os segundos aprendendo em condições que cada vez se tornam mais precárias, indo desde os reduzidos tempos lectivos até à falta de meios didácticos apropriados ( em muitas escolas os professores até o giz têm de levar).

Mas agora tudo isso vai acabar ,não é? Acabar devido à milagrosa intervenção de vários “Messias comunitários” que tudo vão resolver através da Escola Virtual ! Já é possível o acesso às unidades didácticas para vários anos escolares, onde são religiosamente seguidos os programas da escola em Portugal e gloriosamente ignoradas as necessidades específicas dos alunos portugueses no estrangeiro. Assim é óptimo e poupa-se muito dinheiro, pensam os Messias. Deixa de ser preciso pagar aos professores e acabam-se todas as despesas com eles relacionadas!

Quem quiser compra um computador e aprende “tudo” em casa sozinho, tenha 7, 12 ou 15 anos de idade! Não é mesmo óptimo? Fica-me uma grande vontade de perguntar se os “ Messias” que já acima mencionei alguma vez andaram na escola e se conhecem o significado da palavra “ensino”. Parece-me que não.  Mas voltando às medidas de poupança: o golpe mais recente foi acabar com os contratos das seguradoras que garantiam aos professores cuidados médicos relativamente aceitáveis. A partir de 1 de Janeiro os professores de português no estrangeiro vão “beneficiar” dos “privilégios” da  ADSE , que se em Portugal mal funciona, como todos sabem, muito menos vai funcionar aqui....   Mas quem se rala com a saúde dos docentes? O que é preciso é poupar, cortar, poupar.  Os professores queixam-se, os sindicatos reivindicam. E o Ministério da Educação tapa os ouvidos e cala-se, num mutismo arrogante e autista, dando apenas atenção a políticos arrivistas que, a bem de si próprios e das suas carreiras, não hesitam em pôr em perigo um bem inestimável, a nossa língua e a nossa cultura.  Alguns desses políticos, num rasgo de génio, dizem que as aulas de português para portugueses no estrangeiro não precisam de ser dadas por professores portugueses, podem ser ministradas por professores suíços, alemães, etc, com habilitação para ensinar português como língua estrangeira, já que em Portugal também são professores portugueses que ensinam inglês ou francês.

Ó crassa ignorância! Os nossos alunos são falantes do português, não são estrangeiros! Alguém consegue imaginar, por exemplo, um professor alemão a explicar o que é um magusto , o bolo-rei ou o feriado do 1°de Dezembro?   Na verdade, o Ministério da Educação tem gasto dinheiro com este ensino – não tanto como dizem – mas não com os vencimentos dos professores.

Tem-no gasto, sim para colocar por “confiança política “ indivíduos em cargos de Coordenadores e Conselheiros, alguns competentes, mas outros que parecem mais interessados na destruição do sistema de ensino do que no seu desenvolvimento, como aconteceu na Alemanha, em que uma senhora Conselheira, muitíssimo poupada, conseguiu desmantelar a rede de ensino em três estados onde as aulas eram de co-responsabilidade luso-alemã

Essa senhora ganhava mensalmente cerca de dez mil euros. Só para despesas

de representação tinha direito a cerca de 7 mil euros mensais.

Foi principescamente paga para destruir uma rede de ensino.

Os Coordenadores vencem, dependendo das situações e dos países, entre 6 e 7 mil euros mensalmente. A Conselheira da França, por razões que não sei explicar, vence a “módica”quantia de 12 mil euros mensais.  Espantosamente, para estes cargos, não há planos de poupança, pois irão continuar, aconteça o que acontecer ao ensino. Há até a intenção de aumentar o número de Coordenadores... e os professores desde 1998 não têm a mínima actualização de vencimento, mas esses é que saem caros!  Falta-me apenas falar de mais um inimigo dos professores portugueses no estrangeiro. Este inimigo é representado por alguns “colegas” que , por terem menos habilitações, menos tempo de carreira , não estarem, por inúmeras razões , ligados ao Ministério da Educação, se arrogam o direito de caluniar os professores  que têm a sua situação profissional regulamentada acusando-os, indevidamente, de “ganharem muito”, como se não bastassem os “politiqueiros” para o fazer...  Nem em Portugal nem em nenhum país os salários dos professores são uniformes. O tempo de serviço e as habilitações são critérios que não podem ser ultrapassados, assim como os vários tipos de contratação existentes.

O nivelamento por baixo não serve os interesses de ninguém. Não é prometendo “ mais trabalho a preço mais baixo” que se mantém o emprego...  Só sendo uma classe unida poderemos lutar contra os ataques de que somos alvo e manter a nossa dignidade profissional.

Maria Teresa Duarte Soares

Professora de LCP na Suíça

 

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nome:  eduardo.araujo@bluewin.ch

email: eduardo.araujo@bluewin.ch

Date:  10.02.2009

Time:  14:33:38

mensagem:

Meu caro, Fernando.

Se a sua mensagem de opinião se refere à minha opinião de 14.01.2009. Devo-lhe dizer que quem me parece ser desconhecedor do que diz é o senhor quando diz, cito:Mas também lhe digo que quanto aos ordenado em fim de carreira de um professor na primária e na secundária também está muito mal informada. Ex. Um professor do 5º e 6º ano em fim de carreira declara no IRS um salário à volta de 40.000 € e isto eu sei de fonte segura, portanto acho que para o país que somos nem está nada mal!. Para sua devida informação um professor na Suiça, seja primário ou secundario e se tiver mais de 15 anos de serviço e tenha um horário completo de 22 horas tem salaerio bruto de 4'757.80€ outros profissionalizados=4'325.20 e Licenciados não profissionalizados=3'892.70 e por fim os não Licenciados=3.568.30. Mas falta a tudo isto tirar as deduções IRS-ADSE-CGA.Em resumo um professor pode obter Líquido aqui na Suíça entre os 4.700 e os 5.200.00 Francos. Por todo o respeito que me merece,julgo poder dizer que é inferior ao salário do motorista do Snr. Embaixador. Não esquecer é necessário ter um horário entre as 20/23 horas semanais. caso contrário temos: 18/19 horas=90%, 15/17 horas= 80%, 12/14 horas=70%, 9/11 horas=60%, 6/8 horas= 50% e por fim 4/5 horas =30%.

pois é meu caro. tudo isto foi aplicado não foi para melhorar o Ensino, apenas por questões económissistas. Veja:

Despacho n.º 20 025/2006

Tabelas de remunerações dos docentes de ensino português no estrangeiro, bem como de conversão de horários lectivos incompletos para efeitos remuneratórios e de contagem do tempo de serviço

O Decreto-Lei n.º 165/2006, de 11 de Agosto, estabelece o regime jurídico do ensino português no estrangeiro, determinando, nos artigos 22.o e 34.o, a fixação por despacho conjunto das remunerações dos docentes de ensino português no estrangeiro, bem como da tabela de conversão dos horários lectivos incompletos para efeitos remuneratórios e contagem de tempo de serviço.

Foram observados os procedimentos decorrentes da Lei n.º 23/98, de 26 de Maio.

Nestes termos e ao abrigo do disposto nos artigos 22.o e 34.o do Decreto-Lei n.º 165/2006, de 11 de Agosto, determina-se o seguinte:

Único. São aprovadas as tabelas de remunerações dos docentes de ensino português no estrangeiro, bem como de conversão de horários lectivos incompletos para efeitos remuneratórios e de contagem do tempo de serviço, em anexo ao presente despacho, do qual fazem parte integrante, respectivamente como anexo I e anexo II.

1 de Setembro de 2006.—O Ministro de Estado e dos Negócios

Estrangeiros, Luís Filipe Marques Amado.—O Ministro de Estado e das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.—Pela Ministra da Educação, Valter Victorino Lemos, Secretário de Estado da Educação.

Nota de encargos

O encargo previsível para o Orçamento do Estado decorrente da execução do projecto de despacho em 2007 será de 23,5 milhões de euros (a que acrescem os encargos para a segurança social), representando no entanto uma poupança para o Orçamento do Estado de cerca de 4,5 milhões de euros relativamente a 2006. Saliente-se no entanto que já no ano de 2006 se reduziu a despesa em 1,3milhões de euros por via do cancelamento do seguro de saúde de que beneficiavam os docentes em países da União Europeia.

Mais acrescento; que actualmente os professores que leccionam na Suíça, correm o risco de terem todos que regressar a Portugal, em virtude da passagem prevista do ensino para o Instituto de Camões. Depois eu vou ver qual a reacção do Concelho das Comunidades, quando nem são houvidos nem achados em todo este processo e os pais que desconhecem o que tenta fazer nos bastidores este gorverno, mais não é de lentamente se excluir das sua obrigações, garantindo um ensino sim mas não a qualquer preço e irresponsável.

Cumps.

 

 

 

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nome:  Eduardo Araujo

email: eduardo.araujo@bluewin.ch

Date:  14.01.2009

Time:  19:12:09

mensagem:

Os meus parabens pelas suas crónicas.

Uma pergunta deixo no ar!!!!

Onde está o Concelho das Comunidades e qual o seu papel?????

Afinal de contas ainda não os ouvi a defender os Professores nomeadamente os

C.L.C.P.

Um abraço

 

 

 

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nome:  Fernando
email:
frjota@gmail.com
Date:  06.03.2008
Time:  20:39:55

mensagem:

A propósito de um mail que surgiu por aqui da autoria de V.Exa.
A Suiça e a Alemanha são dos países com o nivel de vida mais elevado da Europa.
Muitos de nós portugueses, temos o hábito de nos pormos em bicos de pés e nos compararmos com os melhores países do mundo, aos quais provavelmente nem nós nem muitos outros lhes chegarão aos calcanhares, por muitiplas razões.

Tinha um amigo Suiço que trabalhou na IBM em Lisboa e quando foi para a Suiça foi ganhar 3 vezes mais….do que ganhava cá, claro....
Normal
Quanto custa um almoço num restaurante na Suiça, uma bica? Quanto custa uma casa, quanto custa uma empregada doméstica, etc…..
Que tal comparar o nosso país com os 150 a 180 paises do mundo que vivem pior do que nós…… tudo é de facto relativo, e hoje mesmo abaixo dos melhores da Europa, já não estamos tão longe (graças às ajudas recebidas...).
E qual é o PIB desses países - Alemanha e Suiça, e a produtividade de um funcionário de lá comparado com o de cá? Isso não conta.
Mas também lhe digo que quanto aos ordenado em fim de carreira de um professor na primária e na secundária também está muito mal informada. Ex. Um professor do 5º e 6º ano em fim de carreira declara no IRS um salário à volta de 40.000 € e isto eu sei de fonte segura, portanto acho que para o país que somos nem está nada mal!

FC

 

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nome:  Manuel Domingues
email:
m-domingues-11@hotmail.com
Date:  29.01.2006
Time:  18:40:37

mensagem:

A sr. coordenadora de Ensino na Suiça  devia ser substituída porque quando sabe de um problema, ignora-o e diz: não se preocupe porque eu vou tratar do assunto. Penso que estávamos mais bem servidos, apenas com comissões de pais conscientes da sua arbitragem sendo intermediários no papel professor e alunos gratuitamente.

 

 

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nome:  Julio Bandeira
email:
belavista3@bluewin.ch
Date:  23.01.2006
Time:  14:15:56

mensagem:

Subscrevo tudo o que diz,e lamento profundamento a atuaçao do  senhor secretario de estado das Comunidades Portuguesas .Vindo ao encontro da nossa desconfiança o senhor secretario de estado das comunidades vem so reforçar o tratamento que nos é feito pelo governo central,a atribuiçao do titulo de Portuguses de terceira categoria é ja uma mais do que realidade.
Sendo eu presidente da Associaçao de Pais da Engadina gostaria de saber se estao nos seus conhecimentos iniciativas de protesto ou formas de sensibilizar os nossos governantes a refletirem sobre este problema que nos preocupa tanto
As mais sinceras e cordiais saudaçoes.

Julio Domingues O. Bandeira          
 Presidente da A.P.Engadina