Historial
O programa radiofónico Espaço Português iniciou as suas emissões regulares no dia 25 de Abril de 1992, na Rádio LoRa, em Zurique, como homenagem à revolução de Abril. Nasceu a partir de um conjunto de esforços de activistas do movimento associativo e sindical e da cooperativa Rádio LoRa. Na altura, a evolução da comunidade portuguesa consolidava-se e a idéia de um programa de rádio em português, ía ganhado as suas simpatias. O objectivo era, e é, o servir a integração dos emigrantes e a promoção da língua e cultura portuguesa na da Suíça alemã.
Inicialmente, de forma rudimentar, as emissões foram asseguradas por um grupo de colaboradores sem qualquer experiência de rádio; emigrantes, cada um com a sua profissão, mas, todos eles, motivados pela enorme paixão da descoberta do mundo da rádio.
Procurou-se criar uma equipa capaz de assegurar condignamente as emissões e permitisse garantir e encarar com optimismo o futuro do programa, o que não foi tarefa fácil. Aos antigos colaboradores e colaboradoras devemos muito daquilo que hoje somos. E foi assim, após um esforço quase sobre humano, desenvolvendo em simultâneo uma actividade contínua de formação técnica, que conseguimos manter, durante dez anos de actividade contínua, as emissões semanais na Rádio LoRa.
No Kanal K, a equipa do Espaço Português, faz parte da fundação de uma grelha de programas para as comunidades migrantes englobando 31 nacionalidades diferentes. No dia 11 de Abril de 1997, lançamos mais uma hora semanal na Rádio Kanal K, em Aarau, às quintas-feiras, entre as 19 e as 20 horas.
Os encargos financeiros do Espaço Português são suportados pelos seus membros e por alguns apoios voluntários dos ouvintes: despesas administrativas, compra de discos e material técnico, cotas de membros, deslocações, etc. Nunca foi concedido, apesar de solicitado, qualquer apoio das entidades oficiais portuguesas.
O programa Espaço português rege-se pelos regulamentos internos das cooperativas da Rádio LoRa e do Kanal K, estações emissoras não comerciais.
Durante estes anos do Espaço Português, deram a sua colaboração: Carlos Martins, Francisco Beja, Isaque Ferreira, Isabel Barthal, Jorge Oliveira, José Manuel Gomes, Manuel Mendes, Rui Cardoso. A equipa actual é formada por Maria dos Santos e Luis Beja, com a colaboração de Manuel Beja, membro do Conselho das Comunidades Portuguesas e um dos fundadores do programa.
Estes e muitos outros amigos acompanharam detalhadamente os problemas e as ambições do Espaço, que foi o de se transformar num programa aberto à problemática sócio-cultural de Portugal e da Suíça. Um espaço radiofónico a pensar na integração dos portugueses na sociedade suíça e nas raízes culturais de Portugal que nos enriquecem e apaixonam.
Em todos estes anos fizemos de um sonho uma realidade. Hoje, procuramos dar novos impulsos à continuidade do programa, encarando seriamente o seu alargamento e pensando na renovação, dando lugar aos novos .
A equipa do Espaço Português
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Rádio Kanal K
A
meio da década de oitenta, nasceu no cantão de Argóvia a ideia de uma rádio não
comercial – numa altura em que uma meia dúzia apenas de emissores, tinham
iniciado a sua actividade na Suíça. A título experimental. Uma chamada fase de
ensaio radiofónico.
A 6 de Maio 1988 um grupo de “rádio-entusiastas” lançou o primeiro e último ensaio a curto prazo no Aargau. Durante seis fins-de-semana, radio ALORA esteve no éter. A prazo. A LORA oferecia aos não profissionais da rádio, uma plataforma para exprimirem a sua livre opinião. Financiada com quotas de membros. Com gente ao microfone, que tinha algo a comunicar.
O ensaio a curto prazo de 1988 foi um êxito, as rádios privadas tornaram-se aceitáveis também em Aargau. Para a concessão concorreram 3 interessados: o império dos medias Ringier com “Radio Aargau”, a editora de jornais do Aargau com “Argovia”, bem como a equipa da ALORA com a “Aargauer Regionalradio”. Após desistência da Ringier, os dois outros concorrentes ganharam a concessão. Mas, não há bela sem senão: para o cantão de Aargau existia uma só frequência.
Foi o começo de um tandem único no universo dos medias suíço – um acordo de time-sharing entre os parceiros desiguais “Argovia” e “Aargauer Regionalradio”. A partir de 1 de Maio 1990 passou-se a escutar nas frequências de Argovia, de segunda a sexta durante um quarto de hora e às quintas durante três horas, o programa da “Aargauer Regionalradio”. Até que a “Aargauer Regionalradio”, em finais de 1996, se transformou numa autêntica rádio para ouvintes.
Após a tipicamente suíça fase de ensaio radiofónico – miraculosamente! - encontraram-se mais frequências para o cantão de Aargau. A rádio regional do Aargau reagiu de imediato, e apresentou um requerimento para a concessão de emissões durante 24 horas. O conceito do “Kanal K” teve a aceitação do Governo, tendo este emitido a concessão para a chamada “Radio complementar” – a entender como “contra-emissor” da existente “Argovia” – a partir de 1 de Abril 1997, por uma duração de 10 anos. Assim nasceu uma radio de ouvintes com programação de 24 horas, que há quase 5 anos está no ar.
Uma fundamental e importante parte integrante do programa de “Kanal K”, representam os programas diários de duas horas consagrados aos estrangeiros. Num total de 31 idiomas diferentes, os moderadores de Kompass conseguem responder às necessidades de informação das respectivas comunidades. E, sempre com a música em harmonia.
Um elemento importante da redacção do Kompass, é o “Espaço Português e Brasil”, todas as quintas à tarde entre as 19.00 e 20.00 horas nas frequências do Kanal K. Manuel Beja – um membro constituinte da Babylon Schweiz – e o seu irmão Luis Beja, foram os homens da primeira hora no Kanal K; hoje, a equipa conta com Maria dos Santos e Luis Beja.
O grupo integra sobretudo residentes estrangeiros organizados em associações e que defendem os interesses dos seus compatriotas, uma vez que conhecem bem os problemas que os afligem. Juntamente com os suíços, o grupo procura encontrar soluções. Assim, têm o respeito e a confiança tanto dos seus respectivos compatriotas como da população nacional.
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Rádio LoRa
A Rádio LoRa estabeleceu-se em 14 de Novembro de 1983, como emissora onde 300 voluntários de mais de vinte diferentes países, podem criar as suas próprias emissões regulares. Tudo isto praticamente durante 24 horas e a partir de um pátio no “Kreis vier” de Zurique, um bairro onde dominam os mais diversos idiomas: um programa de rádio sem publicidade, feito por pessoas que não pretendem em primeiro lugar entreter, mas antes têm algo a dizer, que desta forma talvez não possa ser dito em nenhum outro local.
Coloquemo-nos a questão concreta sobre o que produz exactamente o som inconfundível desta radio, e como foi criado. O que falta obviamente, é um chamado programa contínuo, que se preste a ser ouvido só como “fundo”. As diversas emissões são demasiado heterogéneas, demasiado abruptas as mudanças de um recipiente para o outro. Continuidade confortável, a norma entre a maioria das rádios locais, é algo que esta radio não pode e não quer produzir. Nada de uniformizações, nada de confirmar aquilo que sempre se espera em vez disso, voltas e reviravoltas inesperadas nas palavras e no som, a liberdade de surpreender, uma vez estimulante e crítico, uma vez divertido ou simplesmente relaxante, mas frequentemente irritante, desconfortável, rude.
Rádios colectivas, de várias línguas e não comerciais como a LoRa, financiam-se exclusivamente com as quotas dos sócios, donativos e uma pequena parte das taxas públicas para a recepção radiofónica. Assim chegamos à questão absolutamente crucial para tais projectos, o associar-se ou doar dinheiro, e desta forma contribuir para que um acesso aberto aos medias possa continuar a existir e que alternativas não comerciais, sejam lançadas para o éter também no futuro. Todos aqueles que, na qualidade de ouvintes, apoiam as rádios colectivas, seja com quotas ou com donativos, usufruem não só de informações regulares ou de bónus: de salientar é a possibilidade única no meio dos media suíços, de se poder participar directamente na realização do programa. Quem se quiser ocupar do media “Radio” , encontra portas abertas nas rádios colectivas. Cursos de introdução ou de formação contínua a preços módicos, possibilitam o acesso à produção radiofónica
Como um eterno projecto pioneiro, num universo mediático caracterizado pela avidez, publicidade sem fim e divertimento a todo o custo, desde 14 de Novembro 83 que LoRa é um símbolo para a oportunidade de se tomar o microfone nas mãos, independentemente do conteúdo do porta-moedas ou da cor do passaporte. Quer seja este conceito do acesso aberto aos medias, ou o facto de só com projectos como a LoRa, pessoas de origem estrangeira terem a possibilidade de se manifestar na sua própria língua: trata-se de ancorar estes progressos na nova lei suíça para a radio e televisão RTVG. Para que LoRa o consiga, em colaboração com outras rádios colectivas, necessita de uma associação forte.