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Fim do Ensino Português na Europa portugueses discriminados Esta nova e escandalosa discriminação dos portugueses no estrangeiro deve-se, espantosamente, ao Ex.mo Sr. Secretário de Estado da Emigração, Dr. António Braga, que, sem mais reservas, declarou à comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura no passado dia 22 que “o País” não está em condições de suportar por mais tempo o actual sistema de cursos de Língua e Cultura Portuguesa para os filhos dos trabalhadores portugueses no estrangeiro. |
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Pergunta-se como é possível fazer tal declaração, uma vez que é facto conhecido que os referidos cursos representam para “o País” um encargo económico correspondente a menos de 1% do total das divisas enviadas para Portugal pelos cidadãos portugueses que trabalham no estrangeiro. Mas o que é realmente vergonhoso e inaceitável é que tais declarações sejam feitas por um Secretário de Estado que, mal tendo acabado de aceitar a pasta da Emigração, se prepara para retirar aos emigrantes um dos direitos que estes mais prezam, nomeadamente os cursos de Língua e Cultura Portuguesa para os seus filhos. Em nome do “ País” e das suas alegadas dificuldades económicas retira-se aos portugueses no estrangeiro um direito consagrado pela Constituição, o que equivale a dizer que estes já não são portugueses, ou, se ainda o são, são-no apenas de passaporte, e que Portugal já não os considera como cidadãos dignos de atenção, não querendo ter com os mesmos encargos económicos, por reduzidos que sejam. Numa atitude que só se pode considerar de desprezo e pura hipocrisia, aponta o Dr. António Braga algumas alternativas para a iminente extinção do actual Ensino Português, alternativas estas que são simplesmente ridículas para quem conhece o actual sistema de ensino e as condicionantes existentes no estrangeiro. Segundo A. Braga, “ a principal prioridade do Governo” é que o ensino do Português seja integrado nos programas escolares dos países de acolhimento. Quem quer o Sr. Secretário de Estado enganar com esta afirmação? Talvez a opinião pública em Portugal, porque nem os actuais docentes no estrangeiro nem os trabalhadores portugueses podem levar a sério uma afirmação dessas. Se o Português fosse alguma vez leccionado nas escolas estrangeiras como disciplina curricular, seria ensinado como língua estrangeira, e apenas a partir do 5° ou 7° ano de escolaridade. Ora os alunos de LCP ,são, felizmente ainda na grande maioria, falantes do português e não teriam o mínimo interesse em ir aprender as estruturas básicas de uma língua que já conhecem. Além disso, não esquecer que as crianças do 1° ao 4° ano de escolaridade ficariam privadas das aulas de português, visto que continua a não existir ensino de língua estrangeira no ensino primário. Tal medida é apenas um pretexto destinado a disfarçar as nefastas intenções do Sr. Secretário de Estado. O que o mesmo na realidade deseja é que a Língua Portuguesa seja ensinada a portugueses por professores alemães, suíços ou franceses, evitando assim a Portugal as despesas com o ensino da sua língua no estrangeiro. Assim , na prática, as crianças portuguesas de 12 ou 13 anos, já esquecidas da sua língua por não a praticarem, iriam aprendê–la como língua estrangeira. Também a proposta de entregar o ensino português exclusivamente à contratação local, aos supostos jovens professores portugueses de 2° ou 3° geração, formados no estrangeiro não passa de um vergonhoso engano, tendo até um carácter ridículo para quem conhece a situação real. Infelizmente, só um reduzidíssimo número de jovens portugueses no estrangeiro chega a frequentar cursos superiores. Destes, é lógico, nem todos seguem a carreira do ensino, e aqueles que de facto a seguem de certeza preferirão trabalhar para as entidades escolares dos países onde vivem, visto terem assim uma segurança profissional que o sistema português nunca lhes irá oferecer, visto o Dr. António Braga ter em vista uma contratação de professores de carácter anual e sem possibilidades de progressão na carreira. No que respeita à proposta de substituir o actual sistema de ensino pelo ensino à distância, através da Internet, apesar de a mesma parecer à primeira vista aceitável, é no fundo de um carácter tão ofensivo como as anteriores. Quem pode imaginar que uma criança de 7 ou 8 anos vá melhorar ou aumentar os seus conhecimentos de português, sozinha, através de um computador – se o tiver? Quem lhe irá esclarecer as dúvidas? Quem lhe irá contar uma história? Onde ficará o factor humano, tão essencial para que as crianças nascidas no estrangeiro tenham uma ligação afectiva à sua língua e cultura? Como professora com cerca de 30 anos de serviço, 20 dos quais no estrangeiro, tendo leccionado em vários ramos de ensino, incluindo o universitário, sempre constatei que, lamentavelmente, Portugal era um dos países que menos se interessava e investia na propagação da sua língua e cultura, com a ridícula, se não vergonhosa esperança, de que fossem outros a fazê-lo. Srs. Secretários de Estado, Srs. Ministros, não basta declarar alto e bom som que o Português é 6° língua do mundo, falada por vários milhões de pessoas e língua da Comunidade Europeia! É necessário investir, é essencial incentivar, e não deixar os nossos interesses em mãos alheias que de certeza não se vão ocupar deles! Não é deixando de fazer a actual despesa ( de carácter mínimo)com o português no estrangeiro que vão equilibrar as finanças do país! Essa poupança temporária iremos pagá-la, mais tarde, muitíssimo cara com o declínio de nossa língua e cultura e irá deixar ainda mais desamparadas as comunidades portuguesas, já actualmente com tão pouco apoio! As actuais tendências, de carácter meramente economicista, são vergonhosas e atentam contra a dignidade dos portugueses no estrangeiro. Todos nós, portugueses que vivemos e trabalhamos longe da nossa pátria, temos o dever de protestar fortemente contra as medidas em curso e lutar pelos nossos direitos, já que aqueles que deviam ser os mais interessados em preservá-los parecem ser agora os mais interessados em suprimi-los. Maria Teresa Nóbrega Duarte Soares Professora de LCP – Suíça |
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